O festival de cinema Triste Para Sempre, do qual a Tribuna do Cinema é parceira, vai acontecer em Lisboa, já amanhã, no Sábado e no Domingo, no Cinema São Jorge, pela primeira vez na história do festival, que está na sua 6ª edição. Além da nossa entrevista aos directores, onde podem conhecer melhor as origens e o presente do projecto, deixamo-vos com mais detalhes sobre a programação, que promete muitas lágrimas, emoção, e surpresas.
Esta edição conta com mais de 40 filmes, num elenco expressivamente mais português do que internacional. Ao longo dos três dias de festival, serão exibidas 39 curtas metragens (nacionais e internacionais) e três longas metragens – Somos Dois Abismos, de Kopal Joshy, Deuses de Pedra, de Iván Castiñeras Gallego e Terra Vil de Luís Campos. Estes filmes têm em comum um olhar particularmente atento sobre a ruralidade portuguesa, papéis tradicionais de género e situações de isolamento.

Em 2026, o Triste Para Sempre debruça-se sobre tradições portuguesas, artesanato e preservação como tema fundamental da sua curadoria. Com o intuito de reforçar a expressão artística enquanto via de desenvolvimento pessoal e comunitário e de combater o esquecimento de certas práticas ancestrais que invocam uma nostalgia muito especial. Para tal, o festival contactou artesãos, grupos recreativos e pequenas empresas nacionais que desenvolvem um trabalho único de manutenção cultural, a envolverem-se ativamente na imagem e nas atividades do festival.
Sobre as curtas metragens, são organizadas várias sessões temáticas, onde cada filme responde a uma premissa específica e aborda a tristeza segundo essa lente. Nestas sessões, somos confrontados com lugares inóspitos, com as dificuldades do papel maternal, com desgostos relacionados com saúde e com o desamor, prometendo fazer cair muitas lágrimas.
As sessões completas, por ordem são:
Summertime Sadness – às 19h de Sexta-Feira, uma sessão estival, com cinco curtas-metragens relacionadas com o calor, as férias, e claro, a tristeza. Destacamos Francisco Perdido, de Frederico Mesquita, uma comédia agridoce onde dois muito jovens rapazes se confrontam com algumas “lições de vida”, a voltar da praia para casa.

Sessão de Abertura — às 21h30 de Sexta-Feira, tradicional cerimónia de abertura, que se iniciará com uma performance musical do Grupo Coral Os Rama Verde. Além da longa-metragem Somos Dois Abismos, será apresentada, em relação com a temática de ruralidade triste, a curta-metragem Diário Antecipado, de João Sarantopoulos, que tivemos a oportunidade de entrevistar como parte da nossa cobertura ao IndieLisboa 2026.
Caminhar Sobre as Raízes — às 14h15 de Sábado, uma sessão especialmente dedicada a pequenos lugares portugueses, onde as tradições estão enraizadas nas pessoas de forma profunda, e por onde o tempo estranha a sua passagem. Antes da longa-metragem Deuses de Pedra, será exibida a curta Campos Belos, de David Ferreira, um notável trabalho de realização, que constrói uma narrativa com um longo plano-sequência de vinte minutos.
Para Onde Foi a Mãe? — às 17h de Sábado, é uma sessão na forma de uma pergunta, construída ao redor de uma ausência, portanto — a ausência de uma figura materna e os efeitos dessa ausência. Composta por quatro fortes curtas-metragens, como Praia de Pedra, de Sofia Bost, protagonizada por Anabela Moreira, e À Medida Que Fomos Recuperando a Mãe, de Gonçalo Waddington, assim como Porque Hoje É Sábado, curta de animação com um excelente percurso a nível dos festivais.

Os Abandonados — às 19h30 de Sábado. É a oportunidade de ver Tapete Voador, de Justin Amorim, Judite, ou a Primeira Revolta, de Pedro Carneiro, ou Dog Alone, de Marta Reis Andrade, este último o filme vencedor do Grande Prémio na última edição do Festival Monstra.
A Terra Devastada — às 22h10 de Sábado. Uma das sessões mais aguardadas do festival, inspirada num universo sombrio, urbano e histriónico, compósito das seis curtas que a integram, conta com 3 estreias absolutas (J., de António Pinhão Botelho, Carro Ultra Passado, de João Salgado, e Consolação, de Marianne Harlé), além dos já conhecidos e excelentes Andar Com Fé, de Duarte Coimbra, e Arguments in Favor of Love, de Gabriel Abrantes.

Tristinho Para Sempre — às 11h30 de Domingo (aberto ao público), a sessão mais breve e mais recheada de animações, onde o festival se dedica ao público mais jovem, e de onde destacamos a curta Rui Carlos, de Margarida Paias, já presente nos últimos Curtas Vila do Conde e IndieLisboa;
O Corpo Estranho — às 14h15 de Domingo. O corpo enquanto coisa estranha que se sente, enquanto invólucro da alma, coisa física cuja realidade se impõe de forma inescapável: nestas cinco curtas-metragens, o corpo é uma “questão”: coloca-se na nossa frente, está no caminho do pensamento. Destacamos o excelente filme-ensaio Autobiography of my Diabetes, de Matthew Lancit, onde o autor cria paralelos entre a sua diabetes e a psico-história do cinema de Terror, O, de Francisca Alarcão, que também já entrevistámos, e Antígona, ou a História de Sara Benoliel, de Francisco Mira Godinho.
Corações Partidos — às 16h15 de Domingo. Há relações que não terminam nunca. Transformam-se, ecoam dentro de nós, ficam suspensas no tempo como um fio por atar. Esta sessão reúne histórias que orbitam esses fins-não-fins de amor, e que navegam nas águas da memória, do silêncio, da culpa e do luto. Destamos Um Beijinho, de Emília Veloso, sobre as consequências imprevisíveis de uma noite, o internacional Intermission, de Arnau Vilaró, e o belíssimo Sol Menor, de André Silva Santos.

Além da Montanha — às 18h50 de Domingo. Última sessão de curtas, esta sessão reúne, entre fronteiras, histórias marcadas pela deslocação, pelo trabalho e pela procura de pertença. São filmes sobre migração e classe, onde a ideia de “casa” se torna dúctil e por vezes inalcançável. Estaremos presentes para ver Quem se Move, de Stephanie Ricci, o hipnótico Vultosos Cumes, de Diogo Salgado, e o grande Sabura, de Falcão Nhaga.
Sessão de Encerramento — às 21h20 de Domingo. Nas margens do rio Douro, João, de 12 anos, vive com o pai, um homem instável que luta contra o alcoolismo e enfrenta vários demónios interiores. Contudo, o negócio pouco rentável devido às alterações climáticas e o comportamento errático do pai podem levar à sua separação. Para lá de um delicado retrato de portugalidade que utiliza como pano de fundo uma comunidade ribeirinha nortenha e os efeitos da trágica queda da Ponte Hintze Ribeiro, propõe-se a refletir acerca da sociedade patriarcal e dos gestos através dos quais esta é perpetuada. Protagonizado por Rúben Gomes e Lúcia Moniz, Terra Vil, de Luís Campos, é um dos grandes filmes portugueses deste ano passado.

Além das habituais competições com júri pelos prémios Lágrima Nacional e Lágrima Internacional, o público é convidado a participar na atribuição do prémio Lágrima do Público. Estes prémios têm o apoio institucional da The DCP Works e Filmin.
O festival conta ainda com uma Oficina de Cianotipia, e com uma Oficina de Bordado Madeirense, assim como uma Festa Oficial no Sábado, na Casa Capitão, a iniciar-se às 23:59. Mais informações estão disponíveis no site oficial.



