Três vezes adeus, de Isabel Coixet – Sem perspectivas

Ana MatosJunho 22, 2026

Três vezes adeus (Tre ciotole) é o mais recente filme de Isabel Coixet, a realizadora catalã que volta a abordar temas intimamente ligados ao que mais apavora o ser humano: morte, perda e solidão. Adaptado do livro Tre Ciotole de Michela Murgia, o filme acompanha Marta (Alba Rohrwacher), que após o fim de uma relação de sete anos descobre sofrer de uma doença grave. Se a separação a deixa inicialmente consumida pelo ressentimento, a proximidade da morte acaba por lhe impor uma nova perspetiva sobre a vida.

 

 

Apesar da dureza do tema, Coixet recusa o melodrama. Há uma espécie de poesia que atravessa todo o filme, uma serenidade que impede Marta de ser reduzida à sua condição. A personagem enfrenta a doença com um segundo fôlego, procurando retirar o máximo do que a vida tem para oferecer, da gastronomia às viagens, da arquitetura à beleza dos pequenos instantes, sempre sustentada pelas relações humanas.

Tudo é filmado com um olhar profundamente estético. Roma surge retratada através de uma fotogenia que foge aos locais mais óbvios e encontra encanto em recantos menos explorados da cidade. A transformação de Marta prende-nos sobretudo graças ao carisma inebriante de Alba Rohrwacher, mas o espanhol Francesco Carril merece igualmente destaque neste primeiro papel em italiano. A sua personagem transmite uma frescura cativante, confirmando a intensidade que o ator imprime em tudo o que faz.

 

 

Infelizmente, Três vezes adeus não abraça uma narrativa depurada. Esse teria sido, talvez, o caminho, uma vez que não existem aqui perspetivas particularmente desafiantes sobre um tema já tantas vezes abordado. Em vez disso, acumulam-se personagens secundárias e histórias paralelas que pouco acrescentam e apenas dispersam a atenção do essencial. Uma abordagem mais assumidamente minimalista, centrada apenas em Marta e na sua forma de encarar a finitude, teria permitido ao filme encontrar uma voz mais singular.