Top 12 Melhores Filmes de Terror de 2025

David BernardinoDezembro 26, 2025

Um ano fraco para o cinema em geral, e talvez o mais fraco da memória recente (que é como dizer “de sempre”) para o cinema de terror. Um ano em que faltaram sobretudo ideias e temas. Ainda assim houve alguns bons filmes de horror, embora nenhum deles seja propriamente consensual. Depois de um 2024 bastante forte com filmes como The Substance, Strange Darling ou The First Omen, este ano de 2025 a lista foi reduzida a apenas 12 títulos, sob pena de incluir filmes que francamente não merecem figurar num palmarés de melhores do ano. Ficam assim os 12 destaques do que de mais interessante se fez no género.

 

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12º Hallow Road de Babak Anvari

Uma abordagem refrescante ao subgénero do thriller “pessoas num carro a falar ao telefone”. Babak Anvari parece regressar à boa forma, com Rosamund Pike e Matthew Rhys a sustentarem um thriller tenso sobre dois pais a lidar com o acidente provocado pela filha numa floresta remota e a conduzirem na sua direcção. O argumento, crucial num filme de espaço único, mantém-se sólido e clínico durante grande parte da narrativa, explorando bem o contraste entre a racionalidade da mãe e a emotividade do pai.

 

11º I Live Here Now de Julie Pacino

Existem duas formas de abordar I Live Here Now, primeira longa-metragem de Julie Pacino (filha de Al Pacino). É um filme claramente millennial, a citar autores como Lynch ou Kubrick, perseguindo uma identidade própria, mas de forma algo apressada. Apesar de simples de decifrar, o filme é interessante: atmosférico, bem filmado e bem interpretado, com imagens cuidadosamente compostas. As cores fortes, influenciadas pelo neo-noir dos últimos 10 anos, funcionam de forma surpreendentemente coesa. É difícil criticar um primeiro esforço tão honesto, que sabe exatamente o que quer ser.

 

10º Bring Her Back de Danny Philippou e Michael Philippou

Bring Her Back é mais um exemplo do chamado “terror elevado”, centrado no drama e trauma de dois irmãos – o mais velho rebelde, o mais novo cego e dependente – colocados sob os cuidados de uma mãe adotiva após a morte do pai. Sally Hawkins, numa bela interpretação, mostra uma manipulação que oscila entre condenação e compreensão, enquanto a narrativa busca um peso melodramático típico do horror. Os elementos ocultos e grotescos ligados ao filho mais novo, Oliver, acrescentam um toque desconcertante, e a dinâmica entre os irmãos é convincente. Ainda assim, o filme mantém uma visão naive sensacionalista e exploratória.

 

Together de Michael Shanks

Falar de Together é falar do recente renascimento do subgénero body-horror, que parece ter ganho força entre os fãs do género. Mais do que isso, Together é um filme cuidado, arrumado e com ideias organizadas, por muito derivativas e pouco originais que estas possam ser, que começa assustador e acaba divertido. A dinâmica do casal em crise matrimonial, interpretado por Dave Franco e Alison Brie, tem energia, mas é na representação simbólica de casais de uma certa América contemporânea anti-Trump que Together acaba por ser mais interessante.

 

Sinners de Ryan Coogler

Sinners é original e audaz, embora traído pela sua própria ambição. Funciona bem ao criar a atmosfera de um drama de terror sobre a experiência negra no Mississippi dos anos 30, mas a mistura de géneros falha na execução devido à falta de contexto na transição a meio da narrativa. O filme perde-se em mensagens e símbolos, fazendo com que pontos do enredo fiquem sem explicação ou surjam do nada. A montagem é deficiente, com um terceiro ato interminável que acumula vários finais desnecessários. Dividido entre o comentário social sério e a estética de terror de série B, Sinners acaba por ser uma experiência arrojada, ainda que instável.

 

Touch Me de Addison Heimann

Um rapaz e uma rapariga que vivem juntos, viciados em drogas e em evitar responsabilidades, conhecem um alienígena rico e narcisista que vive na Terra e que parece estar cheio de boas intenções. A comédia, que gira em torno de traumas, sexo, dependência e temas queer, revela-se inesperadamente coesa e bem executada dentro de um baixo orçamento que transforma as suas fraquezas em forças: efeitos visuais práticos fantásticos que lembram os anos 70 e 80, com zero uso de digital, alcançando uma tangibilidade real que faz muita falta ao cinema atual.  Apesar dos seus temas, Touch Me nunca se leva demasiado a sério, abraçando uma personalidade frenética de filme de série B, cheia de entretenimento e ritmo, cristalizando o espírito indie contemporâneo com uma execução particularmente boa.

 

Missing Child Videotape de Ryota Kondo

Claramente um atento aprendiz do cinema de Kiyoshi Kurosawa (Pulse, Cure, Chime), Kondo apresenta um filme de combustão lenta, marcado por uma atmosfera persistente de desconforto. A paleta cromática pálida, entre o branco e o azul-claro, os cenários assépticos e minimalistas, as sombras e os planos estáticos contribuem para essa sensação. Chamem-lhe um clone de Kurosawa, mas Missing Child Videotape, consciente da sua lentidão — que poderá testar o espectador mais cansado — constrói a atmosfera com rigor em busca de um clímax que nunca chega.

 

Presence de Steven Soderbergh

É impressionante ver Soderbergh a divertir-se com o seu ofício, ao realizar um filme que, desde logo, se encerra no seu próprio conceito segundo qual observamos a acção do ponto de vista de um fantasma que assombra uma casa de família. Presence não se esgota na sua abordagem formal, optando antes por desenvolver a família que habita na casa: quatro personagens cuidadosamente construídas, interessantes e próximas do espectador. A abordagem plástica da câmara flutuante é refrescante, diferente e leve. Um belíssimo filme minimalista.

 

Dangerous Animals de Sean Byrne

Um filme de série B surpreendentemente sólido, com uma reviravolta em que os tubarões não são, afinal, os verdadeiros vilões. Jai Courtney incorpora um excelente assassino psicopata viscoso, num filme que equilibra emoções exageradas e pouco realistas com um estilo de realização surpreendentemente contido. Nunca soa parvo, nem se leva demasiado a sério. Esse equilíbrio quase perfeito anda algures por aqui. Uma viagem selvagem e muito divertida.

 

Weapons de Zach Cregger

O filme começa como um terror “clássico”, com uma premissa à Stephen King – crianças que abandonam as suas casas a meio da noite – e desenvolve-se através de vários pontos de vista, apoiado em boas interpretações de Julia Garner e Josh Brolin. A narrativa evolui do terror para o bizarro e, por fim, para a comédia, num cruzamento de géneros que é a sua maior força. O delírio final, que salta do gore para o slapstick, dá-lhe identidade e confirma, de forma rara, que ainda é possível ser original, divertido e eficaz ao mesmo tempo.

 

Keeper de Osgood Perkins

O enredo tem buracos e toda a fábula por trás da história é algo tola e formulaica, mas nada disso pesa num filme de terror cujo foco principal é a atmosfera, a sensação e a estética. Keeper continua a ser, ainda assim, um dos melhores filmes de terror do ano. O seu pequeno mundo fechado, instalado na jóia arquitectónica que é a cabana de Malcolm, dialoga eficazmente com a perturbação mental de Liz. Um filme cheio de personalidade, emoção contida e algumas presenças verdadeiramente sinistras…

 

28 Years Later de Danny Boyle

Em vez de uma sequela convencional, Boyle e Garland apresentam uma narrativa de formação dividida, vista através do jovem Spike, marcada por uma realização selvagem e meticulosa que recupera a violência do original e dialoga fortemente com Sunshine. O filme evolui do terror para o delírio de série Z, misturando exploração, espiritualidade e um tom quase de sessão da meia-noite. Esta liberdade criativa pode frustrar quem espera “mais do mesmo”, mas é precisamente aí que 28 Years Later se destaca: como uma subversão de expectativas e uma das propostas mais ousadas do cinema de género contemporâneo.

 

David Bernardino