The First Slam Dunk, de Takehiko Inoue: O Novo Portento da Animação Desportiva

David BernardinoJunho 13, 2024

Não querendo pessoalizar esta crítica devo dizer que crescendo com Dragon Ball, Samurai X ou Tsubasa, etc, gosto de manga e anime tanto quanto qualquer pessoa e sempre estive ciente da existência e do conceito de Slam Dunk, mas por alguma razão nunca cheguei a seguir a série focada no basketball. “The First Slam Dunk” oferece a todos os que nunca seguiram a série dos anos 90 a oportunidade de mergulhar no seu mundo, ao seguir um único jogo de basquetebol onde uma equipa de underdogs joga contra a melhor equipa do Japão, e o facto de o filme poder ser plenamente apreciado por qualquer pessoa é um feito por si só.

Ao contrário de séries como Tsubasa, Slam Dunk é incrivelmente realista. O filme (o jogo) é cinético, rápido, emocionante, psicologicamente exigente, onde as sinergias dos jogadores podem ser vistas através do suor, dos olhos e dos movimentos. O realizador Takehiko Inoue (o mesmo autor do manga) enriquece o jogo através do ponto de vista e dos flashbacks de Ryota, um dos jogadores da equipa protagonista que nem é o personagem principal da série (esse será Sakuragi, também em campo), dando um toque original à fórmula habitual do anime, mesmo que os flashbacks possam, por vezes, desequilibrar um filme que funcionaria melhor se se concentrasse totalmente no tempo real do seu único jogo.

E depois temos a animação e o som: dois feitos técnicos incríveis. A mistura de 3D e pintura à mão, combinada com o movimento da “câmara” e o sentido de profundidade, é notável e nunca parece preguiçosa ou uma daquelas modernizações feiosas que tendem a corromper os puristas da animação. Pelo contrário, é refrescante, envolvente e um regalo para os olhos. Por fim, o som, capaz de transportar o público para o campo, entre o chiar das sapatilhas, o aplauso das multidões e os silêncios repentinos que nos cortam a respiração. Uma ótima experiência geral que atinge o raro feito de funcionar plenamente como um filme independente e prova de que as adaptações de filmes de anime nem sempre precisam de ser reduzidas a fan service.

 

 

David Bernardino

 

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