Há sequelas tardias que se justificam por reencontrarem algo essencial na obra original e há aquelas que apenas comprovam que a passagem do tempo, por si só, não é argumento. Magia e Sedução 2 pertence claramente à segunda categoria, surgindo quase três décadas depois de um filme que nunca foi particularmente bom, mas que ganhou vida própria em sessões de domingos à tarde e playlists de Stevie Nicks. Regressa não por necessidade narrativa, mas por lógica de catálogo.

A premissa remonta ao final do primeiro filme: viúva pela segunda vez, Sally (Sandra Bullock) decide que a única defesa possível é apagar da memória das próprias filhas, Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams), a condição de bruxas que herdaram e a maldição que sobre elas impende sempre que se apaixonam. O presente confirma que o feitiço de esquecimento nunca poderia durar: basta Kylie apaixonar-se pelo namorado Gideon (Xolo Maridueña) para este entrar em coma e obrigar Sally a confessar tudo. Segue-se uma expedição a Inglaterra em busca de reverter a maldição, com Sally e Gillian (Nicole Kidman) no encalço de Kylie antes que esta convoque uma magia que não domina. Pelo caminho cruzam-se dois homens claramente pensados como isco romântico: um lavrador com ligações inesperadas à linhagem Owens (Solly McLeod) e um académico especialista em ocultismo (Lee Pace) que faz Sally vacilar na resolução de nunca mais amar.
O argumento, assinado a várias mãos, é menos labiríntico do que o do original, mas continua incapaz de gerir o elenco de subtramas que convoca. Personagens surgem e desaparecem sem tempo para se justificarem e a grande sacrificada é Antonia, relegada a um quarto de hospital enquanto o resto da família resolve o enredo do outro lado do Atlântico. Mais grave é o desperdício de Dianne Wiest e Stockard Channing, cuja presença deveria ser motivo de festa e se reduz a aparições de circunstância, como se a produção não soubesse o que lhes fazer.

Susanne Bier, na cadeira de realização, entrega um trabalho sem assinatura visível, uma sucessão de cenas que avançam sem nunca convencerem de que existe ali uma visão. Bullock e Kidman reproduzem, quase ponto por ponto, a dinâmica que já tinham há vinte e sete anos, sem que nada no guião sugira evolução nas duas personagens ou na relação entre ambas. É Lee Pace quem, contra todas as expectativas de um filme centrado em protagonistas femininas, acaba por ser o elemento mais vivo do elenco, com uma química genuína ao lado de Bullock que só faz sublinhar o quanto o resto do filme poderia ter sido cortado em favor dessa linha narrativa.
No fundo, Magia e Sedução 2 não erra por ambição, erra por preguiça. Cita o filme anterior sem o reinventar, reciclando referências (as margaritas, a mesma canção de Harry Nilsson) em vez de propor qualquer razão nova para existir. Os fãs mais indulgentes talvez encontrem aqui conforto nostálgico suficiente; para todos os outros, fica a sensação de um feitiço repetido sem a convicção necessária para voltar a funcionar.
![]()



