Jurassic Park – Ranking Definitivo

Francisco SousaAgosto 4, 2025

Welcome to Jurassic Park. Há mais 30 anos, acompanhados por uma das composições mais emblemáticas de John Williams, entrámos pela primeira vez na ilha Nublar, uma ilha fictícia na costa do Oceano Pacífico, perto da Costa Rica, que servia de habitat para dezenas de espécies de dinossauros. O icónico filme de Steven Spielberg, baseado no romance de Michael Crichton, revolucionou os efeitos especiais, combinando efeitos práticos com CGI de forma pioneira, e deu origem a um dos universos mais reconhecíveis da história do cinema.  Numa saga já com sete filmes, e diferentes realizadores, incluindo Joe Johnston, J.A. Bayona, Colin Trevorrow e, mais recentemente, Gareth Edwards, houve espaço para experimentação e cada um destes trouxe algo novo para o parque. Uma saga com enorme sucesso de bilheteira, mas com enormes diferenças na qualidade entre os filmes. Ao contrário de outras sagas onde sequelas são tão boas ou melhores que o primeiro filme (Aliens, Terminator 2, Star Wars – O Império Contra-Ataca), Jurassic Park é o caso raro em que, para muitos, é mesmo o único filme bom do franchise. Este é o ranking dos sete filmes da saga Jurassic Park, do pior ao melhor.

 

Jurassic World: Dominion de Colin Trevorrow (2022)

Apesar de trazer de volta o trio original (Sam Neill, Laura Dern e Jeff Goldblum), Dominion é um total desperdício de potencial. Colin Trevorrow, que regressou ao universo de Jurassic Park depois de ser afastado da saga Star Wars, abandona a tensão paleontológica para criar um thriller de conspirações genéticas, onde os insectos assumem mais protagonismo que os dinossauros. A avalanche de CGI e a narrativa cheia de clichés torna este filme aborrecido e desprovido de tensão. Para quem cresceu com o original de 1993, o terceiro capítulo de JurassicWorld é apenas ruído.

 

 Jurassic Park III de Joe Johnston (2001)

Assumir o lugar de Spielberg não é uma tarefa fácil, que o diga Joe Johnston. Infelizmente, o terceiro Jurassic Park reduz os dinossauros a mero pretexto para cenas de perseguição. Há boas ideias (a introdução do Spinosaurus, por exemplo), mas o argumento é fraco, o ritmo apressado e as personagens unidimensionais. No primeiro filme pós-Spielberg, que assume aqui o papel de produtor executivo, não há qualquer criação de suspense e o desagrado com o filme foi tanto que levou à extinção dos dinossauros durante quinze anos, até Jurassic World.

 

Jurassic World: Fallen Kingdom de J.A.Bayona (2018)

Devido à indisponibilidade de Colin Trevorrow para realizar o segundo filme da trilogia Jurassic World (o realizador estava ocupado a realizar o episódio IX de Star Wars), J. A. Bayona assumiu o seu papel e tentou mudar o tom da saga. Fallen Kingdom começa com um resgate apocalíptico na ilha e, ao longo do filme, torna-se num autêntico slasher numa mansão. Fallen Kingdom tenta ser um filme de terror, mas o argumento tropeça numa sucessão de coincidências, vilões que não passam de caricaturas, e linhas narrativas, como a clonagem humana, que são abandonadas. O filme é visualmente ambicioso, mas incoerente no tom e o resultado foi um dos filmes menos memoráveis da saga.

 

4º Jurassic World: Rebirth de Gareth Edwards (2025)

O sétimo filme, realizado por Gareth Edwards, tenta revitalizar a série ao trazer um grupo de mercenários (Scarlett Johansson, Jonathan Bailey, Mahershala Ali) que procura material genético de dinossauros para desenvolver um novo produto farmacêutico. Um filme altamente formulaico e previsível, que opta sempre por jogar pelo seguro sem introduzir nada de novo na saga. Rebirth, que tem alguns dos diálogos mais atrozes de todo o franchise, fica apenas no quarto lugar do ranking devido ao elenco carismático e por devolver algum entretenimento pulp presente no filme original.

 

O Mundo Perdido: Jurassic Park de Steven Spielberg (1997)

Quatro anos depois do enorme sucesso de Jurassic Park, Spielberg regressou ao universo dos dinossauros, desta vez na ilha Sorna. O filme tenta expandir o mundo criado no primeiro episódio, mas rapidamente se torna derivativo do primeiro. As personagens são unidimensionais e menos carismáticas que o trio original. Ainda assim, o terceiro acto, no qual o T‑Rex acaba em São Francisco, é um dos momentos mais frenéticos e inesquecíveis da saga. Um filme competente, especialmente quando comparado com o que viria a seguir, mas ao qual falta a frescura e a sensação de deslumbramento que definiram o original.

 

Jurassic World de Colin Trevorrow (2015)

Mais de duas décadas depois, no auge das legacy sequels, Colin Trevorrow reabriu o parque jurássico com uma nova geração de visitantes. Jurassic World recupera a sensação de admiração pela vida pré‑histórica e introduz a ideia de um dinossauro geneticamente criado para fins militares. Apesar de serem duas horas de nostalgia e referências ao primeiro episódio da saga, o filme tem ritmo, humor e cenas memoráveis (como a fuga dos pteranodons). Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, que se tornaram as estrelas desta nova trilogia, são competentes, e a mistura de CGI moderno com efeitos práticos homenageia o legado de Spielberg. Fica aquém do original, mas devolveu alguma magia à franquia e conquistou um novo público, tornando-se um enorme sucesso de bilheteira.

 

Jurassic Park de Steven Spielberg (1993)

Um copo a vibrar, uma sequência de ADN projectada na cabeça de um velociraptor, um rugido de T-Rex que fazia gelar o sangue de qualquer espetador. O primeiro Jurassic Park é uma obra-prima, a combinação perfeita entre efeitos práticos e CGI, um filme que revolucionou Hollywood, e que colocou os dinossauros no centro da imaginação dos mais novos. Através da lente de Spielberg, somos transportados para a ilha Nublar e o realizador coloca nos na perspetiva de uma criança para transmitir a sensação de espanto e entusiasmo que sentimos ao presenciar estas criaturas pré-históricas. Esta sensação de deslumbramento e de magia nunca foi replicada com sucesso por nenhum dos filmes que viriam a seguir e, portanto, Jurassic Park não só é o primeiro filme da lista como está num patamar distinto dos restantes.

 

Francisco Sousa