Especial Algarve Film Week 2026: Prémios Cinetendinha e Vencedores

Rafael FonsecaJaneiro 28, 2026

Nos últimos anos, a Filmaporto Film Comission tem operado um trabalho notável, por exemplo, com as suas bolsas de criação para projectos sediados no Porto, as suas sessões, e os seus guias para filmar na cidade. O que será talvez menos conhecido, por ora, é o trabalho homólogo a ser realizado em Loulé, com a Loulé Film Office, as suas bolsas de criação, inclusive para cineastas residentes no Algarve, e o seu grande foco em termos de eventos culturais, parte de uma aposta grande do concelho no audiovisual que caminha a par da já conhecida qualidade, a nível nacional, do Cineteatro Louletano e da sua respectiva programação. É um desses eventos culturais saídos da Film Office que abre o ano, algo chamado de Algarve Film Week, em 2026 na sua 5ª Edição, e que integrou de 17 a 24 de Janeiro a 12º Edição do Festival Monstrare – Mostra Internacional de Cinema Social, na sua origem o primeiro festival de cinema social em Portugal; o MAIA – Mercado de Animação Ibero-Americano, evento organizado pela APPA – Associação Portuguesa de Produtores de Animação, que se instalou recentemente em Loulé e, para fechar a programação, a “antigala” de Prémios Cinetendinha (a gala é realizada com todos os convidados no palco, invertendo a ordem normal), evento criado por Rui Pedro Tendinha e que apresenta, com muitos convidados, os vencedores das várias categorias que compõem a premiação de um ano no cinema, escolhidos por uma pequena Academia, não-oficial, composta por actores, realizadores, críticos e programadores que apresentam em privado os seus votos. A Tribuna do Cinema também votou, e esteve presente no evento.

 

Terra Vil, de Luís Campos, em ante-estreia em Loulé na Algarve Film Week;

 

A cerimónia teve lugar precisamente no Cineteatro, e no compasso de espera antes de todos entrarmos em palco, foi permitido ver velhos e novos amigos, entre comes e bebes. Além dos vários vencedores, que listaremos de seguida, era possível também cumprimentar várias e vários membros habituais dos eventos Tendinha, e algumas caras menos vistas, que o crítico convidou para protagonizarem momentos de apresentação na gala: o realizador João Nuno Pinto veio falar sobre o seu filme 18 Buracos Para o Paraíso, com Beatriz Batarda, Rita Cabaço, Margarida Marinho e Joana Bernardo, entre outras e outros actores, a estrear em Junho, e que acompanha o último Verão de uma família na propriedade alentejana que as herdeiras decidiram vender, sitiadas durante uma semana por um grande incêndio;

A radialista Inês Meneses e Bruno Ferreira, realizador da curta-metragem Falem com Ela, estiveram presentes para falar sobre este trabalho, que teve ante-estreia no Lux no passado Outubro, onde convocam convidados e personalidades que passaram pelo programa de rádio de Meneses ao longo dos últimos 20 anos. Sónia Balacó, actriz, realizadora e poeta, leu um poema da sua colectânea “Rosa” — apresentada também anteriormente na Algarve Film Week — com acompanhamento à Guitarra Portuguesa pelo músico algarvio Ricardo J. Martins. Antes do início da cerimónia, espectadores da sessão anterior da Film Week puderam ainda apanhar o actor Rúben Gomes: às 14h30 teve lugar a ante-estreia de Terra Vil, longa-metragem de Luís Campos protagonizada por esse actor e por Lúcia Moniz, e que estreará dia 26 de Fevereiro.

Sérgio Coragem venceu o prémio de Melhor Actor, pelo seu trabalho em O Riso e a Faca; vencendo também Cleo Diára, presente no mesmo filme, o Prémio Futura, apresentado pela Rádio Futura, que pretende distinguir uma personalidade “que emana futuro”, além de ter um corpo de trabalho já consolidado. Rui Tendinha não perdeu a oportunidade de, neste contexto de balanço e projecção, recordar Diamantino (2018), de Gabriel Abrantes, co-protagonizado por Cleo Diára, e de recordar a estreia de Entroncamento, de Pedro Cabeleira, a acontecer em 2026, filme onde também Diára, assim como Sérgio Coragem, interpretam personagens envolvidas no underground desta localidade portuguesa.

 

Miguel Guilherme recebe o prémio de Tributo Nacional;

 

O prémio de Melhor Actriz foi para Joana Santos pelo seu trabalho em On Falling, de Laura Carreira, filme que também venceu o prémio Cinetendinha de Melhor Filme Nacional. Melhor Filme Internacional foi para One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson, que foi recebido por Nuno Gonçalves, responsável pela distribuição do filme em Portugal, e que aproveitou para relembrar que o filme continua nas salas de cinema, como continuará a ser o caso, devido à sua relevância para a actual corrida aos Óscares.

Miguel Guilherme recebeu o prémio de Tributo Nacional, entregue pelo Presidente da Câmara de Loulé, Telmo Pinto. No vídeo a acompanhar a atribuição, Rui Tendinha destaca a presença do actor no nosso imaginário “no teatro, na televisão e no cinema”, que se junta então à lista de detentores deste tributo Cinetendinha, que no ano passado galardoou Isabel Ruth.

O prémio de Tributo Internacional foi atribuído a Nahuel Pérez Biscayart, actor argentino que protagoniza o filme Kill the Jockey, de Luis Ortega, que esteve em competição em Veneza e que estreou em 2025 em exclusivo na Filmin, actor já conhecido do público por BPM — 120 Batimentos por Minuto (2017), e que esteve presente em Loulé para receber o prémio.

A APPA – Associação Portuguesa de Produtores de Animação, que como mencionámos, é agora sediada em Loulé, apresentou também um prémio, de Excelência e Revelação na Animação, entregue a Fausta Pereira, co-fundadora da ONG Hirundo – Associação Para O Pensamento Crítico, Cultura e Desenvolvimento, organização que iniciou o seu trabalho em 2021 em campos de refugiados na Grécia, ensinando crianças e adultos da comunidade de refugiados a fazerem filmes de animação, para poderem “contar as suas narrativas, as suas histórias, sem comprometer a sua privacidade”. Neste momento, a Hirundo desenvolve trabalho em escolas, entendendo o cinema de animação como um processo de construir relações e de permitir aos jovens consolidar os seus sentimentos. As curtas-metragens desenvolvidas no âmbito do projecto estão disponíveis no site da organização.

Manuel Baptista, responsável pela Loulé Film Office, dirigiu-se a palco com a responsabilidade do prémio Monstrare, de Mérito Social, decidido pela própria entidade, que é dirigido a “uma personalidade, instituição ou filme que tenha contribuído positivamente para a sociedade”. Atribuíu-o ao fundador de uma outra Academia: Paulo Trancoso, que há 15 anos fundou a Academia Portuguesa de Cinema, e que, afirma, a dirigiu de uma forma exímia, conseguindo “unir os profissionais da área, promover e celebrar o cinema português”. A instituição, formada em 2011, está neste momento em fase de transição, apontou Trancoso no seu discurso de aceitação, tendo Carla Chambel sido eleita como Presidente para este próximo triénio, de 2026 a 2028. A Academia começou com trinta pessoas, hoje somos mais de mil, recorda.

A “antigala” completa dos Prémios Cinetendinha 2026 será exibida em deferido na Sic Radical no próximo dia 31 de Janeiro. Pode também ser vista por inteiro no portal do Sapo.

 

Rafael Fonseca