Entre Olhares 2025 – Destaques da Programação

EquipaNovembro 3, 2025

Este passado dia 1 de Novembro teve início a sétima edição do Entre Olhares, importante evento de cinema português no Barreiro. Em anos anteriores chamado Mostra, é agora renomeado Festival, assinalando um momento de viragem na sua história: o Entre Olhares integra pela primeira vez secções competitivas de longas e curtas-metragens. Os filmes nestas secções, que estão a ser exibidos no Cine Clube do Barreiro, no Fórum Barreiro – Castello Lopes Cinemas, na Casa da Cidadania Cabós Gonçalves, e no Auditório Municipal Augusto Cabrita, irão disputar o prémio principal do festival, a Garça de Ouro, entre outras distinções. Esta evolução traduz a maturidade que o evento já conseguiu alcançar, reforçando a sua posição no panorama regional e nacional, criando novas oportunidades de valorização artística e de circulação das obras.

O Festival, que decorre até ao próximo dia 10 de Novembro, mantém por outro lado preservada a lógica inicial da programação, com existência simultânea das secções que já existiam, em regime não-competitivo, de modo a garantir a representação da pluralidade de obras e de registos diferentes presentes.

A Tribuna do Cinema destaca as cinco longas-metragens em competição: A Memória do Cheiro das Coisas, de António Ferreira, em ante-estreia, um drama íntimo sobre um veterano da guerra colonial forçado a entrar num lar de idosos; Somos Dois Abismos, de Kopal Joshy, um filme-encontro entre Carlos, um homem suspenso num momento da sua vida e a cineasta que o visita nas montanhas, Filhos do Meio – Hip Hop à Margem, de Luís Almeida, documentário que conta a história do hip-hop em Almada e no Miratejo, género musical erguido com uma grande diversidade no pós-25 de Abril; C’est Pas La Vie En Rose, de Leonor Bettencourt Loureiro, um falso documentário, uma sátira portuguesa sobre uma cidade gentrificada, saqueada, cada vez menos feita para os seus habitantes; e Explode São Paulo, Gil, de Maria Clara Escobar, em que duas mulheres paulistanas desejam realizar os seus sonhos: uma cantar, a outra explodir com a cidade.

Chamamos também a atenção para as três sessões de curtas em competição, e às duas sessões dedicadas a filmes de estudantes de cinema. As mostras não-competitivas (Olhar o Mundo — ficção e animação; Caminhos Alternativos — cinema experimental; Narrativas em Contraste — sci-fi, terror e fantasia; e Territórios — documentário) contam também com uma sessão cada. A programação completa, com horários e sinopses, pode ser consultada no site oficial do festival.

Explode São Paulo, Gil (2025) de Maria Clara Escobar

A longa-metragem que vencer a Garça de Ouro irá receber um prémio de 2.000 euros, assim como a possibilidade de um acordo de distribuição comercial em Portugal (Films4You), enquanto a premiada na secção competitiva das curtas receberá um prémio de 1.000 euros em valor monetário, 1.500 euros serviços de aluguer de equipamento de imagem (IC – Image Constellation) e 3.000 euros em serviços de aluguer de equipamento de iluminação e maquinaria (STP Audiovisuais). A curta vencedora na competição À Primeira Vista terá a oportunidade de integrar o catálogo de filmes da plataforma de streaming Filmin. Todos estes prémios são atribuídos por júris compostos por profissionais da área do cinema; existem também as várias distinções atribuídas pelo público.

O Entre Olhares nasceu com a ambição de criar no Barreiro uma plataforma de partilha cultural capaz de colocar a Margem Sul no mapa dos grandes encontros cinematográficos do país. Hoje, essa missão mantém-se viva e reforçada. Para além das competições, o festival investe em secções formativas e educativas, com destaque para a Secção Juvenil, dedicada a estudantes do ensino básico e secundário, e para as Curtas à Primeira Vista, que oferecem palco às primeiras obras de jovens realizadores. Ao envolver escolas e ao apostar em sessões especialmente concebidas para as novas gerações, o Entre Olhares contribui para a formação de públicos, democratizando o acesso ao cinema e promovendo a literacia visual.

A programação expande-se ainda à dimensão profissional com a secção Indústria – Novos Olhares, que apoia jovens cineastas até 35 anos através de um pitch competitivo, oferecendo serviços técnicos e logísticos essenciais à concretização das suas curtas-metragens. Esta iniciativa reforça o compromisso do festival com a criação e o futuro do cinema português, posicionando-o como espaço de descoberta e de apoio a novos talentos.

A comunidade local está no centro da filosofia do festival. Os bilhetes mantêm preços acessíveis e o público pode usufruir de transporte gratuito em todas as carreiras dos Transportes Coletivos do Barreiro, promovendo a mobilidade e a inclusão. Esta atenção ao território e aos seus habitantes distingue o Entre Olhares e inscreve-o como um festival enraizado no seu contexto, ainda que com uma vocação global.

De 1 a 10 de Novembro, o Barreiro transforma-se, assim, num ponto de encontro entre cineastas, públicos e ideias. Mais do que uma celebração do cinema, o Entre Olhares 2025 é uma convocatória à reflexão e ao diálogo, reafirmando que o cinema continua a ser uma poderosa forma de olhar para o mundo. Não deixem de estar presentes.