Críticas a Marty Supreme, de Josh Safdie

EquipaJaneiro 26, 2026

Neste ano de 2025 os “irmãos Safdie”, responsáveis por Uncut Gems ou Good Time, decidiram separar-se. Benny Safdie trouxe The Smashing Machine, Josh Safdie trouxe Marty Supreme. Ficaram dissipadas as dúvidas: é na direcção de Josh Safdie que o estilo dos irmãos reside principalmente, com Marty Supreme a ser a clara continuação na sua filmografia. Numa Nova Iorque do início dos anos 50 Marty Mauser, interpretado por Chalamet, é um jogador de pingue pongue em ascensão que poderá fazer história num desporto longe de popular. E não olhará a meios para atingir os seus objectivos. O filme está a ser um sucesso junto da bilheteira e da crítica, tendo arrecadado nove nomeações para os Óscares. Chega agora às salas portuguesas e vários tribunos já o foram ver.

 

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De certa maneira, Marty Supreme é o anti-Rocky. Se o último exalta o sonho americano – a terra onde, cada um de nós, independente de onde viemos, podemos realizar os nossos maiores objetivos, se nos esforçarmos imensamente – o primeiro, faz o oposto. Se Rocky (1977) é sobre um desporto de combate, físico e sangrento, Marty é um sobre um desporto de distâncias, minucioso e suarento. Acima de tudo, onde Rocky trata a América como um lugar positivo, cheio de possibilidades, Marty expõe a dificuldade – infernal – de conquistar o nosso devido lugar no mundo. É, portanto, um filme com um olhar pouco otimista, mais táctil e vívido, do sonho americano. Marty Supreme não é uma história verídica, mas é inspirada na vida de Marty Reisman, um jogador de ping-pong ambicioso nova-iorquino dos anos 50, numa altura em que um desportista talentoso de topo não conseguia pagar a renda. No filme, é interpretado por Timothée Chalamet que se entrega ao papel com a energia e impetuosidade necessárias. O ator/personagem demonstra uma arrogância extrema, que, pelo seu encanto juvenil, não nos perde. A sua figura física – frágil, mas delicada – contrasta com a sua força e determinação, cheia de si, gerando um estranho contraste onde reside a complexidade do personagem: uma autoconfiança mesmo à beira de explodir, que, no fundo, fraqueja. O restante elenco não peca por defeito (Gwyneth Paltrow e Odessa A’zion), e tal como Kevin Garnett em Uncut Gems (2019), os atores “não profissionais” – Abel Ferrara, Kevin O’Leary, Tyler The Creator – sobressaem. Safdie demonstra que atuar é sermos nós próprios, e, se formos cativantes, a personagem será igualmente credível.

Curiosamente, são raros os filmes sobre ping-pong, e o marketing de Marty Supreme aproveitou-se dessa lacuna. Contudo – mesmo que as partidas estejam imensamente bem filmadas –, Marty Supreme não é um filme sobre ping-pong, da mesma forma que Touro Enraivecido não é sobre boxe. É, aliás, fora do court que o filme se encontra com a restante filmografia Safdie, como Good Time (2017) ou Uncut Gems : um drama exterior, do movimento, uma sucessão de erros que geram um frenesim infindável de consequências, à la After Hours (1985) de Scorsese: a falta de dinheiro, o hustling desmascarado, a violência de um hillbilly, a multa por pagar, o avião para apanhar, o roubo sem recompensa, a fuga da polícia… Ao contrário de The Smashing Machine de Benny Safdie (esse não convence), Josh Safdie cria um objeto coerente com as anteriores parcerias: uma narrativa nova-iorquina com raiz judaica, um mundo onde precisamos de estar sempre a fugir para que não sejamos, de novo, atingidos por um relâmpago. Uma fórmula narrativa – o “judeu” como O Perseguido – usada nas séries cómicas de Larry David ou nos livros de Kafka.

A corrida, o mexer, são essenciais nesta narrativa, ancorada por uma banda-sonora (electrónica como sempre) de Daniel Lopatin – intensa, acentuada e marcada, como se ouvíssemos um festim de néons. A realização é documentarista: filmado em 35mm, com uma ausência de luz geradora de grão na imagem, o uso de teleobjetivas com pouca profundidade de campo, e escalas fechadas que alimentam a sensação de proximidade, a câmara que nunca se apoia em tripés, e com zooms e ajustes constantes, comporta-se como se alguém estivesse lá – 1952, Nova York. A direção de arte e o guarda-roupa reforçam a negritude, uma dessaturação contrastada que faz invejar qualquer fotografia nos dias de hoje com um trabalho impressionante de Darius Khondji (novamente).

A fraqueza do filme está na estrutura do argumento. Num filme de Safdie, a compressão do tempo (narrativo) é essencial. Good Time passa-se numa noite (uma urgência), e Uncut Gems num dia, antes, durante e depois de um jogo de basquetebol (uma aposta). Supreme é mais descontínuo, devido ao seu enquadramento temporal: uma gravidez. Essa submissão obriga o realizador a fazer mais elipses e pausas, partindo o filme num somatório de sequências, diferenciando-se, assim, dos filmes anteriores. Esses desequilíbrios são demasiado notórios, pois, quando um realizador está focado no movimento, a pausa é apenas uma forma de mexer outra vez na agulha, retirando-nos da intensidade experienciada. Apesar do propósito aparente, o final também não convence: provavelmente, deveria ter terminado dez minutos antes, fugindo de uma redenção simplista – mas que oferece o “momento Óscar” a Chalamet.

Pedro Bastos Oliveira

 

Nos dias que correm, a deontologia dos greatest hits é uma discussão praticamente muda. Há cineastas que reciclam signos, estéticas, fórmulas e até narrativas com menor ou maior eficácia e, sobretudo, com menor ou maior pressão económica para o fazerem. Marty Supreme tem sido propagandeado como o derradeiro volume na “trilogia da ansiedade” de Josh Safdie, depois de Good Time e Uncut Gems. Ignorando, pois, a ausência do irmão neste seu mais recente trabalho, Marty Supreme faz lembrar os Oasis a tocarem o “Wonderwall” pela enésima vez já depois de esquecerem as letras. O registo é familiar e evoca algo que já vimos antes com resultados impressionantes. Quer Good Time quer Uncut Gems colocaram o seu passo frenético ao serviço de estudos de personalidade neurótica e obsessiva face a personagens de foco singular e desespero intensamente individual. Aqui, Timothy Chalamet é Marty Mauser, uma personagem pelo menos inspirada na realidade e um praticante de ténis de mesa compenetrado pela busca da grandeza na sua finalidade última. Ao seu redor orbita um conjunto de personagens que se torna cada vez mais rocambolesco à medida que a trama se adensa. E, de facto, não se adensa pouco. Ao início vemos Chalamet a trabalhar como vendedor numa sapataria com inteiro sucesso: o chefe quer promovê-lo a gerente perante os protestos do próprio, empenhado em angariar fundos para participar num torneio mundial na Grã-Bretanha. Safdie desde cedo deixa bem claro que a persona de Mauser carrega consigo um foco individual estritamente ancorado ao seu valor aspiracional. Mauser procura ser o melhor e a sua persona de hustler de Nova Iorque apenas servirá para cumprir as suas ambições mastodônticas.Esta ideia nem sempre casa com aquilo que são as provações que Safdie coloca no caminho de Chalamet, mas a noção de coerência interna narrativa deve ser abandonada de todo ao visionar Marty Supreme. E, em bom da verdade, não é essa a crítica a fazer a um filme destes. Tudo o que pode acontecer a Chalamet acontece. A verdadeira personificação da lei de Murphy retira a personagem Marty Mauser do reino do real para a colocar firmemente no mundo do rocambolesco. O problema para Safdie, contudo, é que todas as voltas e contravoltas que Chalamet enfrenta vão perdendo nexo e, sobretudo, significado à medida que se repetem, mantendo a parada da trama num perfil relativamente inconsequente. Ao passo que Uncut Gems termina com a imagem icónica de Adam Sandler inanimado depois de ser alvejado na cara, Marty Supreme coloca a questão num plano incomparavelmente menos urgente. Na pior das hipóteses, a persona de Mauser e todo o chauvinismo, arrogância e bravata que o acompanha poderá cair por terra e obrigar Chalamet a voltar à sapataria. Ao invés, somos brindados com uma procissão de personagens secundárias inconsequentes, irrelevantes e inexplicáveis, tudo em nome do fantástico da premissa. Mas se a urgência soa a falsa, desde logo também a condição de todas estas personagens emana o mesmo sentimento. A mais ambiciosa de todas estas, é facilmente a mais interessante, é a da sua amante, interpretada por Odessa A’zion. Mantendo uma relação de longa data, Chalamet e A’zion são amantes na face do casamento da última. A’zion retém um cariz de hustlerismo que Chalamet também reconhece, mas não respeita. “I have a purpose in life, you don’t“, diz-lhe. Ao passo que a aldrabice de Chalamet leva Safdie a emular de forma tosca a tensão nervosa de Paul Newman em The Hustler, a de A’zion tem uma raiz bastante mais terra-a-terra. A saída de um casamento infeliz e a necessidade de estabilidade financeira levam-na aos mesmos buracos de Chalamet, ainda que sem os pretextos altivos deste. Marty Supreme tem, de facto, ambições ao nível do seu protagonista, mas uma incapacidade fundamental de o expressar. O desenlace patriótico procura uma grandeza de propósitos que não só não casa com a persona de Mauser como também lhe tenta conferir uma interioridade que não se lhe tinha visto até ali e apenas convoca mais inautenticidade e desligamento emocional. Os acordes do “Wonderwall” são familiares, mas a letra fala-nos de gente que não existe.

Hugo Dinis

 

Olhando para Marty Supreme de longe é difícil não ficar desconfiado. Chalamet em busca do Óscar naquilo que se pode chamar de sucessor de Uncut Gems e Good Time para o grande público. Uma produção maior, um marketing maior, e eis o resultado do novo filme de Josh Safdie, esclarecendo em definitivo que é ele o principal autor destes filmes “ansiosos” que caracterizam a filmografia dos irmãos Safdie. Ou talvez seja Ronald Bronstein, o argumentista comum a todos eles, enfim. Não existem grandes dúvidas: a fórmula resulta novamente num filme que vive do carisma dos seus actores e do ritmo das suas peripécias. Apesar de um início frágil (uma corrida de espermatozóides em CGI não é a forma mais interessante de agarrar o público), rapidamente Chalamet impõe a sua presença e o que aparenta ser um thriller à volta do pingue pongue e o percurso de Marty Mauser à ascensão se transforma numa versão mais adocicada da pressão sofrida por Adam Sandler em Uncut Gems. Em Marty Supreme, com uma narrativa mais espaçada no tempo, há mais lugar para a comédia e para um estranho romance co-protagonizado por Odessa A’zion e/ou por Gwyneth Paltrow, com Chalamet. Na verdade, talvez seja aí que vão tremer os pilares do filme. O excesso da fórmula de “peripécia episódica” que a cerca de 3/4 do filme retira momentaneamente Chalamet do spotlight oferecendo-o a Odessa A’zion, francamente uma péssima actriz, para a seguir acrescentar ainda mais narrativa entre o protagonista e Paltrow – a cena do colar e a incursão no Central Park deviam ter ficado na sala de montagem – provam que para este formato o carisma dos actores e uma narrativa compacta funcionam pelo melhor. Veja-se quando Kevin O’Leary, obstinado milionário fazendo dele próprio, Tyler the Creator, ou Abel Ferrara, todos actores “não profissionais”, são dos melhores elementos do filme. Apesar desse solavanco, Marty Supreme é veloz a recuperar o seu “gravitas” para o confronto desportivo final, não beliscando de forma decisiva o mérito do filme. É cinema de entretenimento do mais eficaz que temos visto, e se for premiado está tudo bem.

 David Bernardino

 

Das maiores farsas cinematográficas dos últimos tempos, Marty Supreme não tem sequer a seu favor o benefício da dúvida, ou o reconhecimento de um esforço porventura falhado: faz, deliberada e descaradamente, pouco da temática que se propõe a trabalhar, manipulando e revertendo a narrativa conforme melhor convém a uma (não tanto) hipotética audiência desatenta, descomprometida e enfeitiçada.

Se a redundância estilística é um problema – recuperando a figura do anti-herói extasiado já explorada em Good Time e Uncut Gems –, é-o, de igual forma, o constante aparato milagroso que circunda Marty Mauser, que infalivelmente vai escapando a absurdas situações-limite enquadradas numa intencionalidade mascarada e conduzidas por um humor sádico e despropositado. O dinheiro, a oportunidade e o sucesso movem o protagonista que não olha a meios para atingir os seus fins, e Marty Supreme parece reconhecer as repercussões desta atitude, bem como as graves falhas do sistema que a estimula. Como conceber, então, que rejeite uma verdadeira disrupção de um normal enviesado? – confirmando, em última instância, que quem detém o poder detê-lo-á para sempre, e que quem sofre para vingar no mundo terá de se contentar com a aceitação do real, da vida mísera, frágil e imposta. Especialmente sintomático de uma falta de estrutura crítica é o facto do tirano Rockwell ser representado por alguém que defende a abrupta diferença social e de classes, retirando toda e qualquer substância que o filme potencialmente teria, transformando-o num espetáculo jocoso que, longe de realista, é, acima de tudo, um exercício enganoso e hipócrita que coloca o cinema à mercê de pequenos prazeres do entretenimento.

Qual é o futuro da arte se a imaginação deixa de ter um papel na proposta de reflexões – já nem se dirá críticas –, em torno de um mundo saturado, desgastado e cujo fim está titubeantemente à espreita? Se a realidade opressora e injusta é já um dado adquirido e inquestionável, status quo ao qual é indiscutivelmente necessário voltar, se queremos um belo e inequívoco final feliz que reverbere em nós, fazendo-nos esquecer acerca do que realmente se passa?

Laura Mendes

 

Marty Supreme é, como seria de esperar, duas horas e meia de adrenalina, agonia e ansiedade. O curioso é que não se chega a atingir uma mínima compaixão pelo obstinado, convencido e narcisista Marty Mauser, nem o próprio procura qualquer redenção ou consciência durante o ano narrativo. Nele, Timothée Chalamet revela-se numa clareza absolutamente hipnotizante, neste misto entre sonho e pesadelo americano presente tanto na figura como no caminho de Marty. Rachel Mizler (Odessa A’zion), Ezra Mishkin (Abel Ferrara) e Kay Stone (Gwyneth Paltrow) seguem-lhe os passos nesta tentativa angustiante de chegada ao campeonato do Mundo de Tóquio. Enquanto Rachel acaba por complementar a obstinação compulsiva de Marty, Kay Stone existe somente para validar aquilo que nos querem fazer acreditar acerca de Marty: um miúdo irresistível que consegue levar a sua avante; existe como um fundamento para a relação pseudo-laboral com o seu marido, Milton Rockwell (Kevin O’Leary), ainda que protagonize um único momento enternecedor, é tratada pelo filme exatamente como Marty faria – e fez. A peça compõe-se através da banda sonora, trabalhada pelo amigo e colaborador dos Safdie, Daniel Lopatin, que identifica Marty como único e trascendente (pela música dos anos 80) e, por outro lado, como preso numa rede que o envolve, a quem o rodeia, ao local onde cresceu e ao ping-pong em si, tal como a pequena e leve bola. Que é, afinal, o verdadeiro Marty Mauser.

Maria Inês Opinião

 

Desta vez, só temos um irmão Safdie em cena, mas não é por isso que Marty Supreme (um filme que espirala para o caos enquanto o protagonista tenta não se afogar na sucessão cada vez mais aberrante de más decisões que vai tomando) deixa de ter as impressões digitais do duo. O olho deste furacão de catástrofes é Marty Mauser, um daqueles fala baratos nova-iorquinos que abre a boca mais rápido do que pensa e que não hesita em mentir, manipular ou roubar se isso o aproximar do que considera ser o grande propósito da sua vida: tornar-se campeão mundial de ping pong. Perdão, ténis de mesa. Admira-se a tenacidade, torce-se o nariz à opacidade moral. E, ainda assim, é difícil não simpatizar com Marty. A sua descida ao inferno em perseguição do pérfido sonho americano é uma tragicomédia de erros e enganos que, noutras mãos, nos poderia pedir que o desprezássemos. Um dos méritos do filme está em conseguir que isso (quase) nunca aconteça. Marty Supreme é nervoso, afiado como um chicote, muito à imagem do próprio Marty. Corre o risco de desgastar quem já estiver vacinado contra o tipo de desventuras que costumam vir atreladas ao nome Safdie, porém o eco justifica-se pela energia e pela ferocidade com que o filme flui. Talvez se possa dizer que há aqui uma sombra de fórmula, ainda que desta vez adaptada a uma Nova Iorque dos anos 50 deliciosamente manhosa. Fica a pergunta: quando a execução é tão eficaz, umas pitadas de fórmula serão mesmo um problema?

Carla Rodrigues

 

Senhoras e senhores, apertem os vossos cintos de segurança. Dentro de instantes vamos descolar para uma viagem com a duração de duas horas e meia, durante a qual poderemos atravessar zonas de turbulência. É mais ou menos isto que se poderia ouvir antes de começarmos a assistir a Marty Supreme. São 2h30 que passam a voar, mas convém não esquecer de apertar o cinto. Chalamet atingiu um tal nível de popularidade que se torna impossível, quando o vemos no ecrã, não pensarmos “cá está o Chalamet”. E o que faz dele um grande ator é que ao fim de 2 minutos, já nos esquecemos do Timothée, só vemos o Marty. A história deste ambicioso jogador de ténis de mesa suga-nos para dentro do ecrã de uma forma que poucos filmes conseguem fazer: sofremos com ele, rimos com ele, torcemos por ele. E torcemos porquê? Marty rouba, mente e manipula. À semelhança das restantes personagens, está longe de ser uma referência ética ou moral. Contudo, conquista-nos pelo seu carisma, obstinação e audácia, vulgo real lata. O curioso é que apesar deste charme retorcido que opera sobre os espectadores, a sua soberba irrita a maior parte das personagens com quem interage, que ao invés de encantar e manipular, consegue simplesmente desconcertar e exasperar. Assim é Marty, inclassificável.

Ao longo do filme, o atleta está quase sempre numa situação limite. Sem dinheiro, sem tempo, a ser perseguido. E é por isso que o filme nos prende tanto. Há situações rocambolescas, perigos iminentes, uma urgência quase asfixiante em salvar o anti-herói. Demasiadas, talvez, mas ao som de uma magnífica banda sonora dos anos 80, perdoamos todos os excessos. E embora Chalamet concentre naturalmente as atenções, o resto do elenco não lhe fica atrás, nomeadamente Odessa A’zion, com uma energia magnética. Que bom é sair de uma sala de cinema onde tivemos emoções fortes. E não é a adrenalina descartável de uma montanha-russa, mas aquela sensação mais rara que nos acompanha para lá dos créditos finais. Quem era afinal Marty Reisman, jogador de ténis de mesa que vivia cada dia como se fosse o último, com a obstinação própria dos grandes campeões? O que foi real e o que foi ficcionado? Já nem é o mais relevante. Fica a experiência, intensa, desconcertante, difícil de largar.

Ana Matos