O ano de 2025 está quase a terminar. Aproximam-se as listas dos melhores filmes do ano e quem elabora a sua lista há já 98 anos é a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – a Academia, para os amigos. Os Óscares, os prémios desta organização quase centenária, serão entregues no dia 15 de março de 2026, sendo os nomeados anunciados a 22 de janeiro.
Mas o que são os Óscares? São uma fotografia dos gostos dos membros da Academia num dado ano. Ser membro não é para quem quer, é para quem for convidado. Anualmente, a Academia convida centenas de profissionais da indústria do cinema para se juntarem à organização e para votarem no melhor que se fez na sétima arte.
Em 2025, 534 novos membros entraram para a Academia, nomeadamente os atores Sebastian Stan, Fernanda Torres e Ariana Grande, os realizadores Brady Corbet e Miguel Gomes, as argumentistas Mona Fastvold e Payal Kapadia, a cantora Brandi Carlile, e até apresentadores de cerimónias passadas, como Jimmy Kimmel e Conan O’Brien. No total, o número de membros ultrapassa já os 11.000. Esta constante mudança é o que torna a tarefa de adivinhar os Óscares tão interessante e desafiadora.

Ora, como se fazem previsões aos Óscares? Depende da informação de que dispomos a cada passo do caminho. Quanto mais perto da cerimónia de entrega, mais esclarecidos estaremos sobre as preferências da Academia.
Andemos do fim para o início do calendário: em março, realizam-se os Óscares. Em fevereiro, ocorre a entrega de importantes prémios da indústria cinematográfica (e.g. os BAFTA). Em janeiro, orientamo-nos pelas nomeações anunciadas pela Academia. Em dezembro, olhamos para organizações cujos gostos costumam coincidir com os da Academia (e.g. a Hollywood Foreign Press Association). Já em novembro, contamos apenas com os festivais de cinema que decorreram ao longo do ano para nortear os nossos palpites.

Quais são então os principais festivais de cinema? E que filmes tiveram as suas estreias mundiais nestes locais antes de serem coroados com o Óscar de Melhor Filme? Ei-los:
- Sundance (E.U.A.) – CODA.
- Cannes (França) – Parasite, The Artist, Anora, etc.
- Veneza (Itália) – Nomadland, The Shape of Water, Spotlight, etc.
- Telluride (E.U.A.) – Moonlight, 12 Years a Slave, Argo, etc.
- Toronto (Canadá) – Green Book, Crash.
Vejamos que filmes se destacaram nas edições de 2025 destes cinco festivais:
- Sundance – Atropia, Train Dreams
- Cannes –It Was Just an Accident, Sentimental Value
- Veneza – Father Mother Sister Brother, The Voice of Hind Rajab
- Telluride – Jay Kelly, Blue Moon
- Toronto – Hamnet, Frankenstein
Obtemos um total de 10 filmes. Vejamos cada um:

Atropia – vencedor da secção principal de Sundance, em janeiro. Só em outubro é que o filme assegurou distribuição nos E.U.A., pelas mãos da empresa independente Vertical. No entanto, é preciso muita promoção e publicidade para chegar aos milhares de membros da Academia – e não é com uma pequena distribuidora que se consegue.
Train Dreams – saiu de Sundance de mãos a abanar, mas parece ser o filme estreado neste festival que mais ondas tem levantado. A Netflix comprou-o logo e está a fazer de tudo para que o filme seja visto pelo maior número de membros de Academia possível.
It Was Just an Accident – vencedor da Palme d’Or em Cannes, prémio que tem vindo a ser um bom barómetro dos interesses da Academia. Temos como exemplos recentes Parasite, Triangle of Sadness, Anatomy of a Fall e Anora.
Sentimental Value – o vice-campeão de Cannes. Joachim Trier já tinha conquistado alguns membros da Academia com o seu anterior The Worst Person in the World. Desta feita, com um elenco internacional e um filme falado em parte em inglês, tudo indica que a Academia se renda.
Father Mother Sister Brother – galardoado (surpreendentemente) com o Leão de Ouro em Veneza. A Academia nunca foi fã dos filmes de Jim Jarmusch, algo que não parece ir mudar com este novo filme, tratando-se de um título tão dececionante na sua filmografia.
The Voice of Hind Rajab – o vice-campeão de Veneza. Filme sobre uma rapariga palestiniana durante a invasão de Israel a Gaza. Por causa do seu tema, foi preciso chegar-se à frente Willa, uma pequena produtora norte-americana, para que o filme tivesse distribuição nos E.U.A.. Como vimos com Atropia, assim não se chega aos Óscares.
Jay Kelly – recipiente ex aequo do Silver Medallion em Telluride. O novo filme de Noah Baumbach falhou em impressionar o júri de Veneza e a crítica presente no festival. Parece que a Netflix terá de focar os seus esforços noutros filmes.
Blue Moon – recipiente ex aequo do Silver Medallion em Telluride. Richard Linklater tem dois filmes novos em 2025: Blue Moon e Nouvelle Vague. Infelizmente, nenhum deles parece estar a gerar tração suficiente nos E.U.A.. Talvez o melhor que Blue Moon consiga é uma nomeação de Ethan Hawke ao Óscar de Melhor Ator – e que merecido seria.
Hamnet – vencedor do People’s Choice Award de Toronto. Vencedores deste prémio em anos anteriores incluem 12 Years a Slave, Green Book e Nomadland, todos vencedores do Óscar de Melhor Filme.
Frankenstein – ficou em segundo lugar na votação para o People’s Choice Award de Toronto. Guillermo del Toro é um cineasta muito querido pela Academia. Se até o seu mal-amado Nightmare Alley conseguiu uma nomeação ao Óscar de Melhor Filme, não será Frankenstein a quebrar essa sequência.

Depois desta análise, parece que ficamos com apenas 5 títulos: Train Dreams, It Was Just an Accident, Sentimental Value, Hamnet e Frankenstein. Tudo indica que estes filmes estarão nomeados para o Óscar de Melhor Filme.
Já temos 5 finalistas, mas a categoria de Melhor Filme tem 10 lugares. Quais serão os filmes que preencherão as restantes vagas? Teremos de esperar pelos próximos meses para obter mais informação, mas, a fazer um palpite, seriam estes:
- Avatar: Fire and Ash – como dizem em Hollywood, “never bet against James Cameron”.
- Wicked For Good – se a Academia nomeou o primeiro filme, também deverá nomear o segundo.
- One Battle After Another – o filme do ano. Será desta que Paul Thomas Anderson vence um Óscar?
- Marty Supreme – Chalamet já participou em 7 filmes nomeados ao Óscar de Melhor Filme. Em janeiro, serão 8.
- Sinners – um êxito de bilheteira e uma história original, ainda para mais. O género de sucesso que a Academia gosta de celebrar.
Por agora é tudo. Voltamos a falar daqui a um mês!



